Comunidade dos Arturos

A Comunidade dos Arturos tornou-se Patrimônio Imaterial do Estado de Minas Gerais em 28 de Maio de 2014 numa votação promovida pelo Conselho Estadual de Patrimônio (Conep). Segundo o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha).

Os Arturos descendem de Artur Camilo Silvério e sua esposa Carmelinda Maria da Silva. São negros, descendentes de escravos, que moram em um local chamado “Domingos Pereira”, próximo ao Centro de Contagem. A comunidade conta atualmente com 600 habitantes.

Caracterizam-se basicamente pela manutenção da cultura negra, recebida dos ancestrais e conservada  na experiência do sagrado: são as festas religiosas que fazem do grupo um universo à parte, quando os Arturos se transmutam em filhos do Rosário.

Arturos

É através de Arthur (pai) que formam os Arturos (descendentes) e a marca do nome atesta a força da ancestralidade: filhos, netos e bisnetos de Arthur são hoje ARTUROS, família mantida e alimentada pela raiz inicial.

A família dos Arturos desempenha na sociedade um papel definitivo, realizando-se como unidade aglutinadora da vida comunitária. Os descendentes de Arthur Camilo Silvério permanecem, em sua maior parte, na terra herdada dos pais como patrimônio comum.

Alguns Arturos levados por necessidades da vida – principalmente nos casos de casamentos e empregos – deixam a comunidade. Mas novos membros também passam a habitar o outro lado da porteira, ingressando na grande família de moradores e tornando-se, por adoção de um modelo de vida, Arturos de fé e de coração.

Na vida diária, os Arturos se identificam com os brasileiros, com mineiros – inseridos no contexto sócio-cultural dos descendentes de escravos. Levados a deixar a terra, de onde retiravam antigamente os recursos para a subsistência, eles buscaram trabalho no espaço urbano.  Por causa da urbanização, as atividades primárias antes praticadas na comunidade foram colocadas em segundo e as fábricas e as empresas de prestação de serviços absorveram os trabalhadores Arturos.

A comunidade dos Arturos – enquanto portadora de uma tradição cultural – não se tornou impermeável aos processos externos de transformações sociais. E são esses vínculos que seguram e mantêm unidos os descendentes de  Arthur Camilo: a lembrança do pai, a presença da mãe, e a certeza de que a vida é um mistério, mistério controlado pela Senhora do Rosário. É esse passado, essa memória, que garantem a manutenção dos liames de parentesco, permitindo a realização da alegria no espaço da vida rotineira.

Imagens: Prefeitura de Contagem.